segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Como se faz uma história em quadrinhos?

O texto abaixo mostra como é processo de criação de uma hq. No caso, fala sobre as HQs da Turma da Mônica, editadas pela Panini. Não é um roteiro de oficina, mas esclarece como é o trabalho profissional feito com quadrinhos. É interessante a leitura.

SAIBA COMO SE FAZ HISTÓRIAS EM QUADRINHOS


É difícil encontrar alguém que não goste de gibi. As revistinhas fazem sucesso com pessoas de todas as idades. Há histórias para diferentes faixas etárias e personagens que ganharam fama no mundo inteiro. Raro apontar também quem nunca tenha tentado fazer a sua própria história em quadrinhos. O Correio Criança visitou o estúdio Mauricio de Sousa, que fica em São Paulo, para mostra a você como se faz um gibi.

Se alguém ainda não sabe, Mauricio de Sousa é um dos maiores cartunistas do País, criador da Turma da Mônica, da Turma do Penadinho, do Horácio, do Chico Bento, do Ronaldinho, entre outras histórias, e, mais recentemente, da Turma da Mônica Jovem.

Sua empresa cresceu tanto que, há algum tempo, Mauricio quase não desenha mais e nem inventa as histórias. Dezenas de roteiristas e desenhistas desenvolvem os quadrinhos, mas nenhum é publicado sem antes passar por sua aprovação. Somente as revistas do Horácio são criadas por ele, pois é seu personagem preferido e é através do dinossauro que Mauricio expressa suas ideias. Mensalmente são publicadas pelo estúdio Mauricio de Sousa nove revistas com histórias inéditas, fora as edições especiais. Esse trabalho soma 800 páginas por mês.

PASSO A PASSO

1 - As histórias dos quadrinhos e das tiras publicadas em jornais são criadas por roteiristas. No estúdio Mauricio de Sousa, são cerca de dez roteiristas fixos e outros que prestam serviços vez ou outra. A maior parte deles não vai para o estúdio todos os dias, mas manda a sugestão de casa, por e-mail. O roteirista Robson Barreto de Lacerda conta que eles desenham os quadrinhos numa folha de papel chamada gabarito, que vem com marcações dos quadrinhos para o profissional basear os diálogos. Os temas das histórias são livres e o número de páginas pode variar. Eles podem entregar as páginas coloridas ou não.

2 - Todas as sugestões de roteiros vão para apreciação do Maurício, que devolve com um visto parecido com o de um professor. Por exemplo: VB é Visto Bom; VO é Visto Ótimo e VR é Visto Regular.

3 - História aprovada, ela segue para o desenhista, que coloca nos personagens o estilo de desenho do Mauricio. Os desenhistas usam o papel opaline, um pouco mais grosso que cartolina, tamanho A3 (maior que a folha de sulfite) para facilitar a visualização. Eles utilizam grafite azul para fazer o esboço e lapiseira comum para detalhar o desenho, já com as expressões em cada personagem. O desenhista Lino Paes trabalha no estúdio há nove anos, mas conta que foi difícil conseguir a vaga. Fã da Turma da Mônica, sempre treinou bastante os traços e, por anos e anos, mandou seus desenhos para o Mauricio analisar. Num belo dia, Mauricio o convidou para fazer um estágio. Em seu caso, no segundo mês seus desenhos já estavam sendo publicados, mas há desenhistas que ficam meses e meses em treinamento até atingir o estilo adequado.

4 - O desenho pronto vai em seguida para o letrista. É ele quem faz os títulos, os dizeres que vão nos balões, as onomatopéias (tradução dos sons, tipo toc-toc, bum!, bang-bang!) e é quem define a forma que os balões vão ter. Nas histórias da Turma da Mônica Jovem, o letreiramento e os balões são feitos em papel separado e aplicados na imagem virtual do desenho. É que a revista é exportada para outros países. Desta forma, fica fácil do texto ser aplicado no idioma local.

5 - É o arte-finalista quem vai imprimir, quadro a quadro, a noção de textura, de perspectiva e de movimento da história. O arte-finalista usa caneta tipo pena com pontas de espessuras diferentes para dar efeitos como grosso, fino etc. Nos gibis da Turma da Mônica Jovem, alguns desses efeitos são obtidos pelo computador, usando o programa Mangá Studio, facilmente trabalhado num tablet (mesa digitalizadora). A Turma da Mônica Jovem é a única história em que a arte-final é informatizada.

6 - É no setor de acabamento que é feita a definição e o contorno dos quadros, chamados pelos profissionais de requadros. O que é totalmente preto na história é preenchido nesta etapa e, quando a tinta seca, todos os vestígios de lápis são apagados. O adolescente Kaio Renato Bruder, de 17 anos, trabalha no setor há sete meses. Não é fácil conseguir essa vaga, mas ele a conquistou por ter trabalhado alguns anos no estúdio como patrulheiro. Foi assim que ele exercitou seu talento para o desenho e chamou a atenção dos colegas, garantindo seu espaço.

7 - Os coloristas definem as cores das páginas, que depois seguem para serem coloridas por software de computador.

8 - O material é digitalizado e impresso em gráfica terceirizada, da Editora Panini. Fonte: http://www.cosmo.com.br/noticia/19139/2009-01-17/saiba-como-se-faz-brhistorias-em-quadrinhos.html

6 comentários:

Sindy disse...

Oi amiga
Vim conferir as novidades e amei este post!!! Vou guardar para trabalhar com as crianças durante o ano.
Bjks cheias de saudades...
Sintian

Veneza de Almeida Babicsak disse...

Olá,
te indiquei para o premio Dardos.
Veja em meu blog como funciona, Abraços

Veneza
http://diariodaprofessora.blogspot.com

Natania Nogueira disse...

Valeu, Sindy!
Espero que as próximas postagens tb lhe agradem!!!
Beijocas

Natania Nogueira disse...

Obrigada, Veneza!!!
:)
Beijão!!!

Wesley CBS disse...

Olá, boa tarde, trabalho numa escola e estamos com uma ideia de um projeto para ano que vem de histórias em quadrinhos, será uma projeto interdisciplinar, nas matérias de arte para o desenho e português para os diálogos, com auxílio da biblioteca e do laboratório de informática. Gostaria de sugestões de vocês que tem mais experiência com esse assunto, que software usar, preferencialmente software livre por se tratar de uma escola. E sugestões a nível geral. Aguardo contato, meu e-mail é wesleycbs@hotmail.com. Grato.

Natania Nogueira disse...

Wesley, já respondi, abraços!