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quinta-feira, 18 de março de 2021

QUE TAL APRENDER A FAZER SEUS PRÓPRIOS BLOCOS E CADERNOS?

O professor Amaury Fernandes, da UFRJ, esteve em Leopoldina (MG), em maior de 2019 e ministrou um minicurso sobre encadernação, dando dicas de como fazer blocos. É simples e muito tranquilo de se fazer, nós testamos. 

Nós gravamos e editamos um vídeo dando o passo a passo. Que tal preparar criar seus próprios cadernos e blocos personalizados? O resultado é fantástico! Nós testamos, usando materiais simples! 


Nós testamos e deu certo: usamos papel de presente comum e tecido para fazer as capas.

Inclusive, na falta do material indicado no vídeo você pode improvisar, sem problemas, usando, por exemplo, papel de presente comum, restos de tecido (retalhos), etc. Você pode usar o tema que quiser e fazer seus blocos e cadernos roubarem elogios dos seus colegas. O que vale é usar a sua imaginação e se divertir fazendo seu próprio material escolar.

 

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

UMA HISTÓRIA DAS MULHERES E DA ARTE POR MEIO DOS QUADRINHOS

Capa da HQ de Aline Lemos "Artistas Brasileiras" (2018), pela editora Miguilim.
Lançada em 2018, a HQ "Artistas Brasileiras" de Aline Lemos apresenta ao público geral um seleção de 30 mulheres que se destacaram no campo artístico, de várias regiões do país. Um projeto que busca tirar das sombras mulheres talentosas cuja existência ou foi obscurecida pela história, ou mesmo esquecida ao longo dos anos. 

Já no início da HQ, numa introdução quadrinizada, a autora tem o cuidado de  esclarecer que existem outras mulheres, tão interessantes quanto as que ela selecionou para a HQ, e que objetivo da obra "não é apresentar todas ou as melhores artistas" mas mostrar diversidade de mulheres que produziram arte no nosso país.
Quadrinho sobre Tarsila do Amaral.
A obra coloca as mulheres dentro da história da arte e mostra que, mesmo com todas as dificuldades impostas pela sociedade, elas conseguiram deixar sua marca. Entretanto, suas marcas foram aos poucos desaparecendo e é necessário reavivá-las. Este é  um dos méritos da HQ de Alice Lemos, o de fazer um exercício de memória. 

A jovem autora nos lembra ainda que as mulheres são talentosas e não excepcionais. E qual seria a diferença?

Tirinha onde a autora usa
a artista plástica Zina Aída
para criticar o machismo
presente na sociedade.
Durante muito tempo a História nos apresentou as mulheres que se destacaram (e cuja presença não podia ser ocultada) em alguma área dominada pelo homens como excepcionais. Elas eram casos raros, únicos. O talento dessas mulheres era, portanto, uma anomalia, que não poderia servir de base para se julgar outras mulheres. 

Mas na HQ  "Artistas Brasileiras" a intenção da autora é demonstrar que havia, e há entre nós, mulheres talentosas cuja obra não é resultado apenas de uma excepcionalidade, mas de muito trabalho, dedicação, estudo e talento. 

A HQ não coloca as mulheres como sendo melhores que os homens, mas tão talentosas e capazes quanto eles, com as mesmas capacidades e habilidades criativas. O mesmo talento que se encontra em um homem e que pode ser encontrado, também, em uma mulher. 

Do ponto de vista didático, a narrativa é muito bem construída e a obra pode fornecer a professores de história e artes material para trabalhar História da Arte no Brasil de uma forma leve e divertida. As biografias das autoras curta, chegando ao máximo a 3 páginas e são acompanhadas de tiras irônicas e divertidas. A autora expõe e debocha de preconceitos machistas usando de ironia e  muito humor.

Nestes quadrinhos a autora reúne quatro personagens: Anital Malfatti, Fédora do Rego, Georgina de Albuquerque e Tarsila do Amaral.
Aline Lemos, em muitos momentos, lembra o estilo de narrativa da quadrinista sueca Liv Strömquist, que publicou no Brasil a HQ "A origem do mundo: uma história da vagina ou a vulva vs. o patriarcado" (clique aqui para conferir uma matéria sobre esta obra). 

Um quadrinho recomendado para pessoas de todas as idades e indicado para professores que procuram por um material rico e criativo sobre história da arte. Vale ainda acrescentar que a autora fez uma ampla pesquisa bibliográfica, cujas fontes estão disponíveis no livro.

* Texto postado originalmente no blog História e Ensino Sem Fronteiras.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

História da Arte ganha cores e traços de quadrinhos

“A Provença deve ser um lugar lindo. Tenho certeza de que você vai se recuperar lá”, diz um esperançoso Theo van Gogh, que ouve como reposta do irmão Vincent, prestes a embarcar em um trem para a bucólica Arles, na França: “Acima de tudo preciso produzir muito”. O diálogo revelador é um dos primeiros da graphic novel “Vincent” (R$ 29,90), de Barbara Stok, que acaba de ganhar edição brasileira pela Editora L&PM.

A obra retrata os últimos anos da vida do pintor holandês Van Gogh, que se mudou para a pequena cidade francesa com o objetivo de fundar uma colônia de artistas. Porém a falta de dinheiro e de perspectivas para o futuro, além da culpa que sentia por ser sustentado pelo irmão, fez os tormentos psicológicos de Vincent se agravarem, culminando com o conhecido episódio em que o artista decepou parte da sua orelha direita.

São esses embates internos e acontecimentos da fase mais rica e revolucionária do gênio pós-impressionista que Stok retrata em quadrinhos de traços pop, singelos e coloridos. Barbara ainda incorpora ao livro trechos de cartas escritas ao irmão Theo e telas do próprio pintor, assim como seu processo criativo e suas ideias sobre pintura. Para chegar a isso, a ilustradora trabalhou por três anos com apoio do Museu Van Gogh, de Amsterdã.

Leia mais, clicando aqui!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quadrinhos contam as histórias por trás das pinturas

Clique na imagem para ampliar!

Para promover as Visitas Guiadas do MASP (Museu de Arte de São Paulo), a DM9DDB buscou contar as histórias por trás dos grandes quadros do acervo através de quadrinhos.
Mostrando os mestres Van Gogh,Renoir e Modigliani, cada narrativa procura reproduzir o traço do respectivo artista, como se tivesse sido tirada de seu sketchbook.
Muitos dos frames foram inspirados por pinturas e esboços que de fato existem. O texto também traz referências históricas, com citações reais dos autores e personagens das peças.
A ideia é convencer o público que o ato de admirar uma pintura na parede é apenas parte de uma experiência maior – no caso, proporcionada pelo serviço de Visitas Guiadas, que conta detalhadamente às histórias dos quadros e trajetórias dos artistas, contextualizando cada obra.
Segundo informações divulgadas pelo site Brainstorm9
PUBLICADO NO ZINE BRASIL

quarta-feira, 23 de março de 2011

Primeiro volume do curso Desenho à Mão Livre


Está à venda Desenho à Mão Livre - Materiais e Anatomia (formato 17 x 24, 96 páginas, R$ 29,90), primeiro volume de um curso de desenho que terá três edições no total.

A obra propõe ensinar aos leitores as bases do desenho artístico, dos esboços às artes-finais, os rudimentos técnicos, o uso aplicado dos materiais e como proceder para se desenvolver nessa arte.

O volume 1 da série trata dos materiais básicos e corretos para cada tipo de desenho e do desenho da figura humana: a proporção, o volume e o movimento, o esqueleto e os músculos e o estudo em partes e detalhes.

Em cada página, os ensinamentos são transmitidos com observações e dicas, com perguntas e respostas.

Demais aspectos do desenho artístico, como o estudo aprofundado da anatomia, o desenho de animais, proporções, composição, vestimentas, perspectiva etc. serão contemplados nos volumes seguintes, e a coleção concluirá com um caderno de exercícios.

A obra é de autoria de Alexandre Jubran, professor de desenho na Universidade Mackenzie, que já trabalhou para diversas publicações nacionais e estrangeiras, produzindo HQs, ilustrações e infográficos e também atuando nas áreas da publicidade e design.

Desenho à Mão Livre - Materiais e Anatomia é um lançamento da Editora Criativo e pode ser encontrado à venda na Comix Book Shop.

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO UNIVERSO HQ

sábado, 11 de abril de 2009

Um crime, dois artistas, um movimento


Para quem não entende absolutamente nada de história da arte, "Salon", a história em quadrinhos do americano Nick Bertozzi, pode ajudar aos interessados a ficarem mais íntimos de um período de ouro e cheio de expectativas para a arte. Ao mesmo tempo, há um risco que se corre com toda homenagem que se faz à realidade: confundir a verdade com a ficção.

Em "pinceladas" que lembram um filme noir, Nick Bertozzi se foca em um momento crucial para o futuro da própria arte: a criação do Cubismo, movimento encabeçado por Georges Braque e Pablo Picasso. Historicamente, "Les Mademoiselles D'Avignon", de Picasso, é considerada a obra que marca o movimento. Entretanto, há quem diga que o mérito do pontapé inicial é de Braque. E, pelo que se vê na história em quadrinhos de Bertozzi, tem tudo para ser verdade. Mas como nada ali é uma absoluta verdade, fica a critério do leitor decidir quem é o melhor.

Em uma Paris de 1907, encharcada de absinto e repleta de ruas que cheiravam à arte e boemia, pintores de vanguarda começam a ser decapitados. Até aí, tudo é ficção - menos Paris -, mais um livro de quadrinhos de traços adultos e cores sombrias. Bertozzi trabalha cada página em dois tons, tornando os dias de Paris cada vez mais mundanos, e as noites, sempre mais perigosas. O autor da graphic novel, Nick Bertozzi, já foi finalista do prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos.

Seria mais uma história de suspense se não fossem os célebres personagens que tentam desvendar o mistério. Gertrude Stein, a escritora americana e feminista que teve um papel fundamental no apoio aos artistas de vanguarda, encabeça, com seu irmão, uma busca pelos assassinos, por acharem que podem ser as próximas vítimas. A autora de "A Autobiografia de Alice B. Toklas" foi uma das primeiras a pendurar um Picasso na parede e tinha uma roda muito seleta de amigos. Entre eles, Guillaume Apollinaire, outro personagem real que aparece na história. O crítico de arte que auxiliou nos alicerces teóricos do cubismo e, em seguida, do surrealismo, faz juz à frase dita no futuro por Ernest Hemingway: "Paris é uma festa".

Pablo Picasso, no livro de Bertozzi, é um homem mulherengo - o que sempre foi na vida real - um pouco atrevido e fã de histórias em quadrinhos. Tinha uma richa terrível com Henri Matisse, e parecia mais um artista petulante e atrevido do que o gênio que foi considerado no futuro.

Georges Braque, em "Salon", é um homem metódico, pudico e está atrás de uma nova maneira de expressar a arte. Na trama de Bertozzi, Braque é viciado em absinto.

Alice B. Toklas, companheira de Gertrude por 25 anos e que inspirou sua obra mais famosa, é tida aqui como a pessoa responsável pelo afastamento de Gertrude de seu irmão, Leo. O livro dá uma ideia de como o romance começou, nas grandes festas até tarde nos salões moderninhos de Paris.

Para completar o grupo, Erik Satie, o compositor excêntrico que criou a música ambiente e incorporou performances às suas exibições. Era muito amigo de Picasso, portanto, não podia faltar na aventura.


Agora, voltemos à história em quadrinhos: uma espécie de serial killer (uma mulher taitiana saída das telas de Gauguin) começa a matar pintores de vanguarda. A princípio, a polícia não dá muita bola, porque, para eles, artistas são sinônimos de vabagundos. Mas os ataques começam a preocupar, e a sedutora mulher azul pode atacar àqueles que têm nas mãos o futuro da arte.

Gertude Stein e seu irmão Leo, donos de uma galeria, reúnem um seleto grupo para desvendar esse mistério (Satie, Braque, Picasso, Toklas e Apollinaire). Para encontrar pistas, fazem uma viagem nada convencional. Uma espécie de absinto raro permite que os artistas possam viajar dentro de obras de arte, o que, além de ajudar nas investigações, também amplia as percepções de cada um.

Em meio ao mistério, malícia e erotismo, o que eles acabam descobrindo é que os crimes têm tudo a ver com outro artista, talvez o mais perturbado e rebelde que já surgiu: Paul Gauguin. É lá que o artista, morto em 1903 - não se esqueça que a história se passa em 1907 - sobrevive, numa singela homenagem ao homem que buscou uma arte cada vez mais primitiva mas, ao mesmo tempo, autêntica em sua representação. É uma de suas mulheres taitianas, de tantas que pintou, que carrega em si a suspeita de cometer os crimes.

Mas os crimes podem ser um detalhe, já que a história foca muito na amizade entre Braque e Picasso, que futuramente iriam criar o Cubismo. Bertozzi desenha um Picasso petulante, enquanto isso, vê um Braque revolucionário, um homem mais preocupado em revolucionar a arte do que em ser famoso. Entre tantos ângulos que buscou, um altruísta da arte.

ORIGINALMENTE PUBLICADO EM Clicrbs.com