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domingo, 24 de janeiro de 2010

Dicas de textos sobre quadrinhos e ensino de ciências e matemática


Esta semana nós vamos comemorar o dia Nacional dos Quadrinhos. Uma pena que não seja ainda dia letivo, pois seria uma boa proposta separar uma semana para exposições, palestras, oficina sobre quadrinhos. Infelizmente, quem é professor sabe que na primeira semana de aulas é quase impossível fazer qualquer coisa bem organizada, sem reuniões e preparação prévia.

Resolvi, então, durante essa semana colocar no blog várias postagens relacionadas a quadrinhos e ensino. Para começar, quero disponibilizar vários textos referentes ao ensino de quadrinhos, relacionados aos conteúdos de "ciências". São links de textos (a maioria em pdf) disponíveis na Internet.

É comum eu receber e-mails de professores de vários conteúdos pedindo material. os que tem mais dificuldade são professores de química física e matemática. Então, segue minha contribuição. Bom proveito!

O Gênero História em Quadrinhos no Ensino de Química

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO SOBRE INÉRCIA

AS FASES DA LUA EM HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO ENSINO
FUNDAMENTAL


Uso de história em quadrinhos como ferramenta complementar ao processo de ensino-aprendizagem em Fisiologia Vegetal

HISTÓRIA EM QUADRINHOS: UM RECURSO DIDÁTICO PARA AS AULAS DE FÍSICA

LIGA MATEMÁTICA: PORQUE JUNTOS PODEMOS APRENDER

HQ em Matemática

Cascão em Ora, bolinhas! Uma conexão entre a Geometria e a História em Quadrinhos

QUESTÕES AMBIENTAIS E HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: UMA REFLEXÃO CONSTRUÍDA POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

A Geometria em quadrinhos

Tendências contemporâneas do ensino de Biologia no Brasil

Quadrinhos podem aprimorar ensino de biociências e saúde

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA

CRIAÇÃO E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS QUE ESTÃO NOS GIBIS

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Livro ensino ciências por meio de histórias em quadrinhos

Um dica da amiga Valéria Fernandes, sobre um livro que ensina ciências através dos quadrinhos. Em dois meses o livro vendeu mais de 200 mil exemplares, um verdadeiro sucesso edutoral. Vale a pena conferir! A notícia saiu na revista Época.

Ciências em Quadrinhos

Um gibi americano faz sucesso ao ensinar experiências de física e química de forma divertida. Tudo pode ser feito em casa com sucata e objetos recicláveis

Os professores de ciências nos Estados Unidos descobriram uma forma eficiente de aguçar a curiosidade de seus alunos. Antes de escrever uma fórmula de física na lousa ou levar as crianças ao laboratório, eles pedem que os alunos leiam gibi. Não qualquer gibi. A lição de casa é ler Howtoons, uma revista de histórias em quadrinhos que ensina a fazer experiências com materiais simples. A idéia já está embutida no nome, que une a expressão “como fazer” (how to) e parte da palavra “quadrinhos” (cartoon), em inglês. A fórmula fez tanto sucesso que virou livro e em menos de dois meses já vendeu mais de 200 mil exemplares.

As histórias são contadas pelos personagens Celine e Tucker, dois irmãos que descobrem uma maneira divertida de curtir as férias sem apelar para o computador. Eles resolvem juntar objetos fáceis de encontrar em casa e fazem experiências. Em uma delas, usam um saco plástico, gelo e sal para simular as baixas temperaturas de um freezer e ensinam a preparar um sorvete de creme ultragelado (ao lado). Esta é uma das 15 histórias do livro Howtoons: the Possibilities Are Endless (Howtoons: as Possibilidades São Infinitas).

O gibi faz sucesso porque propõe experiências curiosas e fáceis de ser copiadas. Não é exatamente a ciência por trás de cada episódio que encanta o público. É a linguagem simples, a sintonia com os assuntos infanto-juvenis e os desenhos do ilustrador Nick Dragotta. Ele já foi da DC Comics e da Marvel, duas das maiores editoras de histórias em quadrinhos do mundo. “Os quadrinhos mostram que o mundo não precisa ser como é, que as crianças podem modificar e imaginar o futuro que querem criar”, afirma o engenheiro australiano Saul Griffith, que criou o Howtoons em parceria com seu colega americano Joost Paul Bonsen. Na época, os dois estudavam Engenharia no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e ajudavam a organizar workshops sobre ciência para alunos de escolas da região.

O manual de experimentos caseiros desperta o interesse das crianças para conceitos da Física e da Química, disciplinas geralmente consideradas chatas, principalmente porque costumam ser tratadas apenas na teoria. “O Howtoons traz a ciência para o dia-a-dia das crianças. O interesse dos alunos pela Física e pela Química muda drasticamente quando se constrói um revólver que atira marshmallows”, diz Bonsen. “Ou quando se cria um submarino com garrafa de refrigerante e uma prancha de surfe feita com madeira e tubo de PVC.”

O Howtoons se tornou uma poderosa ferramenta de apoio ao ensino de ciências em escolas americanas. E pode fazer ainda mais diferença em países em que há deficiências no sistema de ensino. O Brasil ficou entre os seis últimos colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), um dos indicadores mais respeitados de qualidade do ensino. O exame avaliou o desempenho dos alunos em 57 países. “A escola não é o espaço de experiências que deveria ser”, afirma Bianca Encarnação, editora-executiva da revista Ciência Hoje para Crianças, publicação brasileira com uma proposta parecida com a do Howtoons. “Os professores têm dificuldade de despertar o interesse dos alunos porque o modelo educacional é antigo, repetitivo.”

Ainda não há versão em português para o Howtoons. Mas a meta é que até o fim deste ano ele seja traduzido para 15 idiomas. Se depender dos autores, depois de ler Howtoons as crianças nunca mais vão olhar a sucata com os mesmos olhos.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Hqs e o ensino de física


Um novo texto, agora sobre hqs e o ensino de física




A Fantástica Física dos Super-heróis

Francisco de Assis Nascimento Junior
Durante a década de 60, um dos personagens mais populares das histórias em quadrinhos, o Homem-Aranha, viveu um de seus momentos mais dramáticos: a morte de sua namorada Gwen Stacy arremessada do topo da ponte George Washington por seu arquiinimigo, o Duende Verde. Bem que o herói tentou salvá-la com sua teia, mas não adiantou: o choque foi fatal e Gwendolyne Stacy morreu durante a queda. Pelo menos, essa foi a explicação dada pelos editores e que povoou a mente de milhares de fãs até o ano de 1995, quando o professor James Kakalios, da Universidade de Minnesota nos Estados Unidos, desvendou esse mistério de mais de 20 anos! O motivo da morte? Pescoço quebrado. A explicação? O princípio da conservação do momento! Mesmo tendo alcançado sua namorada com sua teia, antes que ela atingisse o chão, a constante elástica da teia não foi suficiente para amortecer o impacto da parada brusca. Talvez por isso sua teia (nos filmes recentes para o cinema) tenha uma constante elástica tão grande, chegando a agir como uma mola em determinadas cenas.


As histórias em quadrinhos de super-heróis apresentam um universo próximo ao nosso, com a diferença que nele a ciência poderia ser facilmente confundida com magia, por realizar verdadeiros “milagres”. Tudo é possível para a Física nas páginas dessas histórias, de viagens ao espaço sideral em foguetes domésticos até adentrar dimensões paralelas pela porta de um armário. Claro que foguetes de fundo de quintal são inviáveis no mundo real (uma nave capaz de viajar pelo espaço requer o uso de alta tecnologia, não só em termos de potência, como também em questão de pontaria, já que todos os planetas no universo estão em movimento) e os leitores de revistas em quadrinhos sabem disso, da mesma maneira que, na vida real, ninguém é capaz de voar como o Super-Homem ou de subir pelas paredes como o Homem Aranha. Se por um lado as histórias dos heróis dos quadrinhos dificilmente teriam graça se os personagens vivessem conforme conceitos estritamente científicos, por outro elas levam a física bem mais a sério do que pensamos, por mais vezes do que se pode imaginar. Muitas vezes as revistas de super-heróis acabam por agir como verdadeiros textos de divulgação científica: é possível encontrar exemplos de descrições corretas de vários princípios físicos nas histórias em quadrinhos, abrangendo da mecânica clássica à quântica.


Como coadjuvante ou protagonista, a presença de um gênio inventivo é praticamente obrigatória em qualquer história de qualidade. Sem os cientistas, quebrando todos os galhos, os quadrinhos não teriam graça. É a ciência, muitas vezes, que determina o ponto alto de uma aventura. Fazer com que os super-heróis pulem de suas revistas diretamente para o quadro-negro pode permitir o trabalho com uma questão interessante: os poderes e habilidades “maravilhosos” de suas histórias "teriam lugar" em um universo guiado por rígidas leis da física, como o nosso? No início de sua carreira nos quadrinhos, por exemplo, o Super-Homem não era capaz de voar – ele saltava sobre enormes edifícios! Se levarmos em consideração que um prédio comercial de escritórios norte-americano tem uma média de 30 andares, as pernas do herói precisariam produzir uma estupenda força, correspondente a 2.721,55 kg ao pular: um cálculo fácil de ser reproduzido pelos alunos. A explicação dada pelos autores de suas histórias a respeito de sua estupenda força é o fato da gravidade de seu planeta natal, Krypton, ser muitas vezes maior que a da Terra. Calcular a força gravitacional de Krypton pode se tornar uma atividade interessante e muito divertida sobre vários tópicos da Física e mesmo da Astronomia: a resposta a ser encontrada corresponde a um valor aproximado de 7 vezes a gravidade da Terra. Isso significa que, para que esse planeta pudesse existir em nosso universo, teria de ser quase 7 vezes maior que o nosso, ou quase 7 vezes mais denso. Planetas dessa ordem de grandeza são gigantes gasosos, assim como Júpiter. Mas, nas Histórias em Quadrinhos, Krypton possuía uma crosta sólida – então, não poderia ser gasoso! Restaria supor que o planeta deveria ser então cerca de 7 vezes mais denso que a Terra. Acontece que, em nosso universo, para que isso fosse possível, seria necessário que o planeta possuísse um núcleo composto por material super denso (e instável), como uma estrela de nêutrons, por exemplo. Como resultado, esse planeta não poderia existir, pois explodiria. Como de fato acontece nas histórias em quadrinhos...


Outro personagem que é um prato cheio para uso em sala de aula é o velocista Flash (da DC Comics): seus poderes abrem caminho para uma vasta gama de discussões, desde aplicações da teoria da relatividade até física do corpo humano. Como ele poderia respirar ao correr à velocidades supersônicas? Quanto ele precisaria comer para poder correr assim? Seria possível que ele corresse pelas paredes, subindo pela fachada de edifícios ou sobre a água? Por que o Flash da época da Segunda Guerra Mundial, Jay Garrick, não envelhece? São perguntas que podem ser trabalhadas em sala de aula, envolvendo não só o estímulo da imaginação como a compreensão dos conceitos envolvidos em fenômenos físicos, ao invés do simples domínio de fórmulas. Na edição 208 da revista americana The Flash, publicada em maio de 2004 (publicada no Brasil na edição 33 da Revista Liga da Justiça, em agosto de 2005), o herói-mirim Kid Flash derrota o vilão Trapaceiro utilizando o princípio da inércia. E para facilitar a compreensão do que estava fazendo, explicita ao vilão o enunciado da 1ª Lei de Newton durante a batalha! Não se trata de uma tentativa de tornar plausível a existência de superpoderes, mas de mostrar aos alunos como fazer as perguntas certas, estimulando a formação de um pensamento crítico que possa ser aplicável em outras situações. Há efeitos físicos secundários envolvidos no uso das superhabilidades de qualquer herói de revistas em quadrinhos. E é aí que reside o gancho que pode ser trabalhado em sala de aula: é um mito bastante comum dizer que somente um perito em matemática pode compreender e apreciar a física, assim como dizer que histórias em quadrinhos de super-heróis servem apenas como forma de diversão descompromissada ao público jovem.