sábado, 29 de novembro de 2008

Professores de inglês, de matemática e desenhistas se unem para ensinar a crianças e adultos a arte de produzir histórias em quadrinhos, numa estação

Nos tempos dos super-heróis

Teresa Cunha
Especial para o Correio

A turma dos anos 1950, 1960, com certeza há de se lembrar das famosas coleções de gibis e da disputa para ver quem comprava, primeiro, o último exemplar a chegar nas bancas. Depois, era hora de trocar as revistas para ler e ficar de olho à espera da devolução. Imagine perder uma delas!

Gerações e gerações navegaram nas aventuras de Tarzan, o rei da selva, Flash Gordon, o primeiro herói intergaláctico, Batman, com suas crises psicológicas, Super-Homem, o mais popular. Também se divertiram muito com os desenhos de Mickey Mouse e Pato Donald; e aqui no Brasil com a Turma da Mônica. Nem mesmo a revolução causada pela internet e pela tecnologia que trouxe a chamada “estética digital” para as histórias em quadrinhos diminuiu o interesse pelas tirinhas. Mudaram os desenhos e os personagens, mas a paixão continua, sobretudo no olhar e coração da garotada.

Para muitos desses meninos e meninas a chance surgiu com a Oficina de Histórias em Quadrinhos e animação em computador que funciona desde junho na Biblioteca Carlos Drummond de Andrade, ao lado da Estação do Metrô, na QNN 13, Área Especial, em Ceilândia. Em enormes mesas de madeira pintada de branco, eles dividem idéias, papel, lápis, canetas coloridas, pincel, tinta e o material necessário para exercitar o potencial.

E vão desenhando as figuras que povoam seus mundos. Seres extraterrestres, como os heróis dos desenhos que assistem na televisão ou lêem nos gibis, figuras mágicas extraídas dos sonhos que acalentam de um mundo melhor, máquinas superpoderosas com que poderiam conquistar o universo, como os carros de Paulo Henrique Oliveira, de 19 anos. (veja abaixo desenhos produzidos pelos alunos)

A oficina foi idéia do professor Mauro César Bandeira, formado em artes plásticas pela Universidade de Brasília (UnB). Quando levou a proposta ao colega Edmilson de Melo e Silva, que leciona matemática, recebeu apoio imediato. Logo o grupo com voluntários das áreas de inglês, artes visuais, comunicação, estudantes e artistas de Ceilândia. “Queremos descobrir talentos, dar atividade para as crianças e criar um grupo para ensinar a arte das histórias em quadrinhos”, explica Mauro Bandeira. Assim que a notícia se espalhou, começaram a surgir interessados. Dos 7 aos 70 anos, não faltaram alunos. Hoje, são cerca de 60 inscritos, entre crianças, adolescentes e adultos, que vêm de Santa Maria, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires todos os sábados para as aulas que vão das 8h às 12h.

No caso das crianças elas têm de estar matriculadas em escolas para poder participar.“A criança tem o dom natural de desenhar, nós damos as técnicas de roteiro e animação”, diz Edmilson de Melo e Silva, entusiasmado com o projeto e com os resultados.O êxito do curso é tanto que os professores já receberam pedidos de oficinas no Lago Sul, no Plano Piloto, Guará e Sobradinho, segundo Edmilson. Mas, por enquanto, as atenções se concentram ali, em Ceilândia, onde a turma está aperfeiçoando o desenho para terminar uma revista em quadrinhos a ser lançada nos 38 anos da cidade, em 27 de março de 2009.

Fonte: http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_140.htm

Gibi criado pelo Sicride vai dar dicas de segurança para crianças

O Serviço de Investigação de Criança Desaparecida (Sicride) lança, nesta segunda-feira (01), às 10h, na Biblioteca Pública do Paraná, uma exposição e um gibi especial com histórias e passatempos com diversas dicas de segurança para crianças. A publicação da "Turminha da Segurança" também divulga fotos de crianças desaparecidas no estado. O lançamento contará com a presença do secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.

"Com histórias lúdicas e claras, o gibi passa informações educativas, que servirão de orientação para crianças", explicou a delegada-chefe do Sicride, Ana Claudia Machado. Os painéis expostos durante o lançamento reproduzem, em tamanho ampliado, as histórias com os personagens João Esperto, Bia Sabida, Kara Atento e Zé Prudente. São quatro histórias, seis passatempos e dicas de serviços, com telefones de emergência e adesivos dos personagens, criados pelos psicólogos e policiais do Nucria que ajudaram o desenhista Rodolfo Lucchin a elaborar os quadrinhos.

"O gibi trata de temas importantes, como não falar com estranhos, cuidados no caminho de casa para a escola e outros, que incentivam as crianças a cuidar da própria segurança. É uma ferramenta importante, porque, além de chamar a atenção da criança, nos ajuda a multiplicar as dicas de segurança para protegê-las", disse.

Abrangência

Segundo a delegada, o gibi será distribuído durante a "Operação Criança Segura", no litoral do Paraná. Quando terminar o recesso escolar a publicação vai será dirigida às escolas, onde serão apresentadas palestras de orientação a pais e responsáveis. Para as crianças que ainda não são alfabetizadas, serão feitas leituras durante palestras e encenações teatrais com os personagens do gibi.

"É um trabalho preventivo. A divulgação do gibi e as palestras são instrumentos para levar informação às famílias que vão para o litoral aproveitar as férias de verão", explicou Ana Claudia. A tiragem inicial é de 12 mil exemplares, pagos com recursos do Departamento da Polícia Civil.

O Sicride foi criado pela Secretaria da Segurança Pública e tem a incumbência de centralizar o registro de ocorrência envolvendo crianças desaparecidas no âmbito do território estadual, promovendo a apuração dos fatos de seu conhecimento, mediante o processamento respectivo, inclusive prosseguindo na instrução de inquéritos policiais já instaurados.

Fonte: http://www.parana-online.com.br/editoria/policia/news/338754/

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Programação do 3º Prêmio Professores do Brasil

O 3º Seminário Professores do Brasil será realizado nos dia 02 a 03 de Dezembro de 2008, em Brasília/DF. A programa cão do seminário e premiação é a seguinte:

02/12/2008
08h30 - 12h00 - Credenciamento, abertura oficial, palestra
14h00 - 17h30 - Apresentação dos trabalhos vencedores

03/12/2008
09h00 - 11h30 - Apresentação dos trabalhos vencedores (cont.)
14h30 - 17h00 - Premiação

Estarão participando os 31 professores premiados, acompanhados de seus respecticos diretores (as), além dos parceiros do MEC, que ofereram os prêmios aos professores.

Prêmio Professores do Brasil e outras notícias sobre a Gibiteca


Ontem eu e minha diretora fomos convidadas, quase de surpresa, para uma entrevista na Rádio Jornal AM, sobre o Prêmio Professores do Brasil. Não m perguntem o que eu falei, porque estava tão nervosa - como sempre - que não me lembro mais.

Mas me recordo da minha diretora ter pedido, para o ano que vem, um funcionário para trabalhar na Gibiteca, comigo, pois eu passo um bom aperto, dando aulas e coordenando a Gibiteca. A ajuda dos nossos alunos voluntários veio num excelente momento, mas a gibiteca funcionaria melhor se tivesse um outro profissional, com carga horária específica e pudesse ser aberta todos os dias e em todos os turnos.


Na semana passada, respondi também, a algumas perguntas sobre o projeto, para uma repórter da rádio FM Educativa, da UFMG (acho que é este o nome). Estou ainda um pouco assustada com a repercussão do Prêmio. Estamos de partida para Brasília nesta segunda. Tudo está acontencendo tão rápido que há momentos que duvido que seja verdade.

Mas nem tudo é passeio e homenagens. No retorno, tenho a difícil tarefa de voltar com a gibiteca para sua sala original. A boa notícia é que teremos uma instalação elétrica nova, com lâmpadas melhores e plugs para nossos computadores, que quase não foram usados ainda.

O grande problema é que não há mais espaço nas nossas prateleiras. Pois é, a gibiteca cresceu muito este ano e o espaço não acompanhou este crescimento, sem falar que não temos nenhuma sala disponível.


Nossa outra meta para 2009 é justamente cuidar disto. Seria muito bom, ideal, se tivéssemos alunos tenham mais espaço para circular e onde eles possam ficar mais a vontade para ler. Tenho esperança de que com o Prêmio, nossa escola possa ser agraciada com mais salas. Não apenas pela gibiteca, mas para poder melhor atender à comunidade, que também cresceu nestes últimos 10 anos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Fotos dos vencedores do concurso de quadrinhos


Professora Arlete e Yasmim Rocha Silva


Professora Sheyla e Yane Araújo Teixeira


Professora Angela e Wesley da Silva


Professora Claúdia e Celso Augusto Norberto da Silva

Mais uma Gibiteca nascendo em uma escola!!


Uma colega, educadora, está montando uma gibiteca em sua escola e divulgando seu trabalho através do Blog Pensamento em Ação. O blog está no início, mas já começou colocando na rede um material muito legal, resultado do trabalho com quadrinhos feito pela idealizadora do projeto Aline Dias, professora do anos iniciais do Ensino Fundamental. Segundo ela, a "escolha do projeto foi baseada no pouco conhecimento inicial da turma 1ª etapa A no gênero textual das histórias em quadrinhos e no pouco gosto pela leitura".

A escola em que Aline leciona tem muito a ver com a nossa. Ela fica em um bairro da Chatuva, em Mesquita, Rio de Janeiro, em uma comunidade com poucos recursos. No Blog, a professora faz um coisa muito importante: relata sua experiência com uma grande riqueza de detalhes e muitas fotos.

O melhor de tudo é que ela está montando uma gibiteca na escola. É bom saber que mais pessoas estão investido nos quadrinhos dentro da escola. Gostaria de pedir aos nossos leitores que morram no Rio de Janeiro que visitem o Blog e façam doações de gibis para esta escola. Nós, aqui em Leopoldina, não podemos reclamar do tamanho da generosidade de muitos de nossos colaboradores e gostaríamos de dividí-la com a colega, que está iniciando seu trabalho agora.

Para visitar o blog é só clicar aqui!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Concurso de desenhos da gibiteca: resultados!

Saíram finalmente os vencedores do nosso concurso de desenhos da Gibiteca.
Os desenhos escolhidos foram feitos por:


- Yane Araújo Teixeira: oito anos

- Yasmim Rocha Silva: oito anos

- Wesley da Silva : 10 anos


- Celso Augusto Norberto da Silva: 10 anos

Em breve, fotos dos vencedores e a entrega dos prêmios!!

Turma da Mônica em evento no Senado

De 2 a 5 de dezembro, a Turma da Mônica marcará presença no Senado Federal participando da 4ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. Os personagens de Mauricio de Sousa ilustram todo o material publicitário do evento.

Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão estarão ao lado de Luca e Dorinha em apresentações ao vivo, com direito a passeio em trio elétrico.

Confira a programação abaixo.

2 de dezembro

10h30min - Abertura do evento com apresentação das músicas Meu nome é Luca e Dorinha, pelo coral do Senado, e sessão de autógrafos com Mauricio de Sousa;

11h - Espetáculo teatral Mundo Azul, com a Turma da Mônica; 3 de dezembro

10h - Passeio dos personagens em trio elétrico, em frente ao Congresso Nacional;

16h - Espetáculo teatral Mundo Azul, com a Turma da Mônica; 4 de dezembro

15h - Espetáculo teatral Mundo Azul, com a Turma da Mônica; 5 de dezembro

10h e 15h - Alunos de escolas inclusivas do Distrito Federal serão recebidos pela Turma da Mônica no Salão Negro do Senado Federal, com autógrafos e distribuição de cartilhas e material de divulgação.

Fonte: http://www.universohq.com/quadrinhos/2008/n25112008_05.cfm

sábado, 22 de novembro de 2008

LISTA DOS PROFESSORES PREMIADOS NO 3º PREMIO PROFESSORES DO BRASIL


Pessoal, no site da Fundação Bunge tem a lista dos vencedores do prêmio. Para minha surpresa, foram apenas 32 premiados. Achei que seriam 40!

Foram anunciados os nomes dos vencedores da 3ª edição do Prêmio Professores do Brasil, iniciativa do Ministério da Educação, Fundação Bunge, Fundação Orsa, Instituto Votorantim e Instituto Pró-Livro, que visa a valorização dos educadores brasileiros.

Este ano, foram premiados 31 professores de todas as etapas da educação básica – educação infantil; séries iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Os vencedores receberão prêmio de R$ 5 mil, diploma e troféu criado especialmente para a ocasião pela artista plástica Maria Bonomi. Outro destaque é que a escola do professor agraciado também será contemplada com R$ 2 mil em equipamentos audiovisuais ou multimídia.

Além da cerimônia de premiação, os educadores participarão do Seminário Prêmio Professores do Brasil, que visa a possibilitar a troca de experiências entre os professores de escolas públicas de diversas regiões do Brasil.

Conheça a lista dos professores premiados:

Educação Infantil

Autor: Maria de Fátima Barth Antão Castra
Título: Resgatando Nossas Memórias
UF: PR

Autor: Eliana Maria Gastaldi
Título: Cineastas Mirins
UF: SC

Autor: Rosemari Aparecida Galego Ribeiro
Título: Criaturas do Mar
UF: SP

Autor: Sueli Silva Souza
Título: Viva Verde
UF: SP

Autor: Marlene Brutigan
Título: A escola tem a cara que eu pinto
UF: MT

Autor: Adenir Vendrame
Título: Lendo a Floresta
UF: MT

Autor: Edna Maria da Silva
Título: Os Tubarões uma viagem ao Fundo do Mar
UF: RN

Autor: Adriana Rodrigues dos Santos
Título: Vamos aprender com MPB
UF: BA

Ensino Fundamental (séries/anos iniciais)

Autor: Nádia Maria Rodrigues
Título: A África está em nós e nós estamos na África
UF: DF

Autor: Kênia Mara da Costa
Título: Aedes Aegypti – o pequeno grande vilão – uma ação cidadã
UF: GO

Autor: Arthur Philipe Cândido de Magalhães
Título: Diferenças sim! Preconceito não!
UF: RR

Autor: Paulino Rocha Barbosa
Título: Resgatando o prazer de ler e escrever a partir de histórias de faz de conta
UF: AP

Autor: Ninfa Emiliana Freire Fausto
Título: Lembrança que vai, lembrança que vem. Entre na roda você também.
UF: BA

Autor: Francisca Virgínia Dantas
Título: Livro de pano: ato e efeito de ler e escrever.
UF: RN

Autor: Alessandra da Silva
Título: Alfabetizando e letrando com os grandes mestres da literatura infantil
UF: SP

Autor: Luciane Cristina Panes dos Santos
Título: Recanto, encanto, saudade... Um pouco do muito que te dei.
UF: SP

Autor: Karlete Behrend
Título: Biblioteca escolar: embarque na magia da leitura você também.
UF: RS

Autor: Guadalupe da Silva
Título: Tecido africano: símbolo, cores e um pouco de história.
UF: RS

Ensino Fundamental (séries/anos finais)

Autor: Joaton Surui
Título: “Escrevendo nossa língua Paiter Surui”
UF: RO

Autor: Sergio Murilo Batista Barros
Título: “Historiando o breve século XX”
UF: CE

Autor: Edilso Bratkoski
Título: “Roda d’água, trabalhando conceitos de Física”
UF: MT

Autor: Natania Aparecida da Silva Nogueira Título: “Gibiteca na Escola” UF: MG

Autor: Gilbert Daniel da Silva
Título: “Pintando as sombras da cidade”
UF: MG

Autor: Rosilene Anevan Fagundes Lampa
Título: “Matemática interativa: a ludicidade na intervenção pedagógica”
UF: PR

Autor: Maria Elisabete de Souza Juswiak
Título: “Semeando educação e colhendo saúde”
UF: RS

Ensino Médio

Autor: Ivonete Helena Machado
Título: Biogás: uma fonte alternativa de energia
UF: SC

Autor: Teresinha Bernardete Motter
Título: Escola – Espaço de Construção e Autonomia
UF: RS

Autor: Giane Gonçalves de Sales Falseti
Título: Quem Acredita Sempre Alcança
UF: SP

Autor: Vânia Aparecida Silva Corrêa Pinto
Título: Brasileirinho: Sarau de Poesia e Filosofia no Bosque
UF: RJ

Autor: Luciano Guedes Siebra
Título: Pesquisar é produzir novos conhecimentos e comunicar os resultados
UF: CE

Autor: Carmelita Fernandes Afonso Rodrigues
Título: A Informática Educativa na Valorização da História Local e na Criação de um Museu
UF: CE

Fonte: http://www.fundacaobunge.org.br/site/novidades/novidade.asp?id_novidade=137

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

RECEBEMOS UMA GRANDE DOAÇÃO!!!

Para surpresa e delírio de todos, a gibiteca recebeu hoje uma fantástica doação de revistas, que estimamos esteja entre 400 e 500 exemplares (não contamos, estamos fazendo o registro, separando as que precisam de reparos e só depois faremos a contabilidade).

Os gibis foram doados por um colecionador, que está se mudando da cidade. A doação foi intermediada pela minha querida prima Olimpinha. Eu sabia que as revistas iriam chegar, mas não imaginava que fossem tantas e tão vaiadas.

Há uma grande quantidade de almanaques da Disney, a maioria em ótimo estado de conservação, além de muitos gibis do Recruta Zero (que eu adoro), Turma da Mônica, Luluzinha, Pica-Pau, dentre muitos outros. Só depois de tudo separado e cadatrado é que vou poder detalhar melhor.

Os nosso alunos ajudantes ficaram loucos, fecharam as portas da gibiteca e começaram a organizar tudo. Creio que precisaremos de pelo menos uns três dias para registrar e colocar tudo em ordem. Depois de tudo arrumado, acho que teremos que conseguir mais prateleiras e, quem sabe, uma sala maior?

A RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA EM QUADRINHOS

Alunos e professores agora podem acessar a História de Pernambuco de maneira bem mais agradável e lúdica. O trio responsável pela premiada série em HQ sobre a História dos Judeus em Pernambuco (Passos Perdidos, História Desenhada), lançaou no dia 19 de novembro de 2008, o álbum em quadrinhos "Heróis da Restauração Pernambucana", adaptação das biografias dos personagens envolvidos na expulsão dos holandeses em 1654, escritas pelo notório historiador José Antônio Gonsalves de Mello.

Este novo álbum de cem páginas conta com a adaptação, roteiro e direção de arte do sociólogo e professor universitário Amaro Braga, juntamente com os desenhos e pinturas das artes-educadoras Danielle Jaimes e Roberta Cirne. Supervisionado e revisado pela historiadora Diva Mello, filha do Gonsalves de Mello, o álbum foi patrocinado pelo Funcultura do Governo do Estado de Pernambuco.

Movimento também conhecido como Insurreição Pernambucana, a Restauração marcou o nascimento da identidade nacional brasileira, ao congregar na luta contra os invasores holandeses, negros, índios e brancos. "As biografias escritas pelo José Antônio encontravam-se esgotadas há anos e só disponíveis nos acervos de poucas bibliotecas e na mão dos colecionadores", comenta o prof. Amaro, explicitando a motivação para desenvolver este projeto.

Nesta HQ, toda colorida e pintada em aquarela, os estudantes encontrarão os fatos e a vida de quatro heróis do Nordeste Brasileiro: Henrique Dias, capitão do terço dos negros; Felipe Camarão, governador dos índios; Antônio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, sargento e mestre de campo do terço de infantaria de Pernambuco. O comércio do açúcar, as lutas e intrigas da resistência, o governo de Mauricio de Nassau, entre outros fatos importantes, também são temáticas encontradas nesta revista em quadrinhos.

"Foram meses de pesquisa e muito rascunho: roupas, cenários e até a própria aparência dos personagens, muito discutida pelos historiadores, tiveram que ser esmiuçadas nos acervos, como o do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico Pernambucano, para transformar os dados historiográficos em cenas aquareladas e estimulantes à leitura", esclarece a desenhista Danielle Jaimes.

A proposta do grupo parece ser mais do que entretenimento: "nosso intuito é estimular os jovens a consumirem e conhecerem as culturas históricas de Pernambuco, fortalecendo nossa identidade étnica. Produzimos um material para os alunos e professores, não só informativo, mas também formativo e interdisciplinar: professores de história, geografia, artes e português podem utilizá-lo em suas aulas", finaliza o sociólogo.

"Heróis da Restauração Pernambucana em Quadrinhos"
Autores: Amaro Braga, Danielle Jaimes, Roberta Cirne e José Antônio Gonsalves de Mello | Editora: Publikimagem, 100 pág. R$ 20,00
Pedidos: maru.braga@gmail.com | www.cdichq.com

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MEUS AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

Estou recebendo tantas mensagens carinhosas de amigos, colegas, alunos e ex-alunos e até pessoas que não conheço, que nem sei como agradecer, mas vou tentar.

Para começar eu gostaria de agradecer à minha diretora que me deixou trabalhar e colocar minhas idéias em prática; aos meus alunos, que adotaram a gibiteca e que cuidam dela até melhor do que eu; aos nossos professores e funcionários, que estão sempre prontos a ajudar e a colaborar com o nosso trabalho; à nossa Secretária Municiapal de Educação, que eu perturbei muito nestes últimos anos, correndo atrás de cursos, de ajuda para fazer cursos, de apoio para montar os seminários, entre outras tantas coisas; a Maria Luiza e Cláudia Conte, representado as muitas amigas da 19ª SRE.

Agradeço, especialmente, a todos aqueles que ajudaram a divulgar o nosso trabalho, em particular ao Luiz Otávio e ao Manoel Azevedo, que sempre me acolhem na rádio e me fazem falar sobre o que temos feito na escola e na gibiteca. Não esquecendo que o Luiz Otávio sempre dá um jeito de colocar na Gazeta Leopoldinanse uma notinha sobre a nossa Gibiteca e outras coisas que eu faço em Leopoldina. Sou muito agradecida pelo seu carinho. Ao Arnaldo Spindola, que também abriu espaço na rádio para nosso projeto e sempre publica notícias sobre a gibiteca e os eventos que ela organiza no jornal da prefeitura. Não posso esquecer da divulgação dada ao nosso blog e aos nossos eventos pela equipe do UNIVERSO HQ, especialmente Sidney Gusman, que acredito desde o início no nosso projeto.

Não posso esquecer das queridas F
átima Prado e Fátima Franco ( representando todos os amigos do Blogs Educativos), Telma, Renata(s), Maria Cristina e Valéria, com suas sugestões, dicas e doações. Aos amigos Cláudio F., Waldomiro, Francisco Caruso, Octávio Aragão, Hudson, Alexandre Soares, Pedro Bouca, Jotapê e tantos outros amigos e amigas que eu não poderia citar aqui sem que a lista ficasse excessivamente grande.

Meu muito obrigada a todos vocês que confiaram mais em mim do que eu mesma. O Projeto Gibiteca na Escola é de todos vocês e sem vocês ele não existiria

Desenhando Heróis - Mostra de Quadrinhos

‘Desenhando Heróis’ é o tema da mostra de quadrinhos que será realizada na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, nas tardes desta quarta-feira (19) e do próximo dia 26. A atividade é desenvolvida pelo Setor de Gestão Educacional do órgão, em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), por meio do programa Ciranda Curricular. A participação é gratuita, sem necessidade de inscrição e destinada a crianças e adolescentes.

A mostra será ministrada pelo quadrinista Hausman Santos e tem por objetivo difundir a arte de criar histórias em quadrinhos, inserindo atividades pedagógicas lúdicas, atrativas e educacionais, proporcionando uma experiência direta do público com os quadrinistas locais.

Para a professora Dina Amanda Salgado da Luz, coordenadora do Setor de Gestão Educacional, “os quadrinhos estão classificados na literatura como gêneros textuais/discursivos e contribuem na formação de uma consciência crítica, permitindo um aprendizado mais eficaz nos conceitos escolares”. Ela vê as histórias em quadrinhos como ferramentas básicas para o desenvolvimento do ensino nos tempos modernos.

A idéia da mostra é colaborar com a difusão de um conhecimento pouco trabalhado no âmbito da sala de aula ou em atividades extras curriculares, o que atualmente já é recomendado pelo MEC. “A recomendação de usar histórias em quadrinhos nas escolas consta no volume dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) dedicado ao ensino da Língua Portuguesa. Os PCN são uma série de sugestões para a mudança dos conteúdos disciplinares do ensino fundamental apresentado pelo MEC”, disse a coordenadora.

O público pode visitar a Estação Cabo Branco de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Para visitas monitoradas de escolas públicas e privadas, grupos de profissionais da melhor idade e do terceiro setor, faz-se necessário o agendamento prévio por meio do telefone 3214-8303

Fonte: Paraíba

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mostra reune quadrinhos

Na mostra Comix, os visitantes têm acesso ao que há de melhor quadrinho independente da atualidade, em todo o mundo (Foto: Juliana Vasquez)

Criação independente de quadrinistas de vários países é atração no Sobrado Dr. José Lourenço, no Centro

A Mostra Comix traz tudo que o apreciador de histórias em quadrinhos pode desejar: criatividade, traço de quem esbanja talento e uma mistura de tudo de mais contemporâneo no segmento. Ela pode ser visitada no Sobrado Dr. José Lourenço, na Rua Major Facundo (Centro), de terça-feira a domingo. A mostra faz parte da VIII Bienal Internacional do Livro, mas continuará até janeiro de 2009.

Artistas do Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, França, Estados Unidos, Finlândia, México, Portugal, Argentina, Espanha, Suiça e África do Sul estão expondo seus trabalhos, o que caracteriza a mostra como sendo um verdadeiro intercâmbio de diferentes estilos.

Os autores, segundo o curador e também quadrinista, Weaver Lima, têm como proposta a produção de trabalho mais autoral.

São desenhistas que criam seus próprios personagens, criam suas histórias em quadrinhos e publicam suas revistas. “Eles utilizam o veículo para expressar suas visões pessoais do mundo e colocarem em pauta questões do cotidiano”, diz.

O quadrinho independente surgiu na década de 1960 e só vem crescendo. Na mostra, são 42 artistas. Entre os cearenses, destaque para Marcus Francisco, já falecido, que tem a considerada rara publicação tipo “blocomagazine” relançada. Também, o estreante Saulo Tiago, com “Revólver”. Entre os desenhistas nacionais: Lourenço Mutarelli, Caco Galhardo e Allan Sieber. Eles dividem o espaço com outros como Odyr, Melius e MZK.

Na Mostra Comix, três artistas ganharam destaque com salas especiais: Alberto Monteiro, do Rio de Janeiro, considerado o mais influente nome da produção independente dos anos 90; Rafael Síca (Rio Grande do Sul); e José Carlos Fernandes (Portugal). O Sobrado Dr. José Lourenço fica na Rua Major Facundo, 154, Centro.

Fonte> http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=590516

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Prêmio Professores do Brasil

Bom, eu não sei exatamente como falar isto, mas vou direto ao assunto: eu acabei de saber que fiquei entre os finalista do prêmio Professores do Brasil e que terei que estar nos dias 02 e 03 de dezembro de 2008 em Brasilia, para recebê-lo e participar do 3º Seminário Prêmio Professores do Brasil

Irei acompanhada da minha diretora e apresentarei o projeto da gibiteca para os demais participantes. Estou muito feliz, na verdade, em estado de choque. Mais notícias em breve!

Últimas doações

Recebemos este mês várias doações de HQs para a gibiteca, entre elas almanaques da Turma da Mônica, doados parla pedagoga Maria Eugênia e 45 volumes de Dragon Ball (estávamos mesmo precisando, pois este é o título mais procurado pelos nossos alunos), doados pela professora Ana. Também recebemos mais adesões de alunos, que se tornaram sócios da gibiteca, a partir de doações de gibis. Nossos agradecimentos a todos.

domingo, 16 de novembro de 2008

A leitura mudando a vida das pessoas

A reportagem abaixo, não tem nada a ver com gibis, mas tem a ver com cidadania, com respeito, com altruísmo, coisas que a gente não vê com muita freqüência no nosso dia-a-dia, e muito menos nos noticiários de TV. Eu separei livros, alguns poucos, e estou enviando. A cada mês pretendo repetir esta ação e convido a todos os nossos leitores e leitoras a fazerem o mesmo.

A OUTRA VIAGEM
Marcelo Abreu
Da equipe do Correio


Certo dia, sentada na sua cadeira com vista para a janela, uma passageira intrigou-se com a cena a que assistira. Em vez de olhar para a paisagem, fixou o olhar naquele homem. Viu que ele folheava um livro. Conseguiu ver o autor. Era Jorge Amado. Entre um sossego e outro, enquanto não chegava passageiro, ele passava uma página. Ela percebeu que, além daquela viagem, havia outra, que andava longe daquele ônibus. A mulher se encasquetou. Antes de descer, foi até o moço e perguntou: “Você gosta de ler, cobrador?” Ele devolveu, envergonhado: “Gosto, sim, senhora!”


Ela desceu e desapareceu no meio da multidão. Uma semana depois, embarcou novamente naquele ônibus. E trouxe três livros para o cobrador. Eram obras de literatura brasileira. De tanta emoção, o moço engasgou. Levou para casa seu mais novo acervo. Devorou-os. Enquanto lia suas histórias, pensou: “Por que não compartilhar isso com outras pessoas?” E ele teve uma grande idéia: levaria os livros para o ônibus e assim incentivaria outras pessoas a ler também. Antes, muito antes, ele pensou em montar uma biblioteca em Sobradinho II, onde mora. Seria um espaço de leitura e pesquisa para quem quisesse chegar. Desistiu pela completa falta de apoio e nenhuma condição financeira.


Sem ter uma biblioteca fixa, resolveu que ela seria itinerante. Juntou as 10 obras que tinha em casa, colocou numa sacola e partiu para o ônibus onde trabalhava, um circular em Sobradinho II. Ali, a idéia se espalhou. Numa caixa de papelão perto da roleta, ele colocou os livros. E um cartaz: Projeto Cultura no Ônibus. Ninguém entendeu nada. “É pra pagar?”, perguntavam alguns. Não era pra pagar. Era pra ler, pegar emprestado, com o compromisso de devolver, e pegar mais. Tantas vezes quisesse. Incansavelmente, ele explicou sua idéia para os passageiros da sua linha. E pedia doação. Quem tivesse algum livro em casa, e não mais quisesse, ele aceitaria.


A novidade se espalhou. Em poucos meses, havia centenas. De todos os tipos, gêneros, gostos. Até gibis. E o povo começou a ler, levar para casa, trocar. Falar de poesia, comentar sobre histórias. Nem a confusão do ônibus lotado tirou a vontade de ler dos passageiros. A linha de Antônio tornou-se a mais disputada do pedaço. Há sete meses, porém, o cobrador foi transferido para a linha 82, que parte do Núcleo Bandeirante com destino ao Setor de Abastecimento e Armazenagem Norte (Saan). Ali, recontou sua história. E mais livros chegaram. A casa modesta onde mora de aluguel com a mulher, filho e uma enteada não coube mais tanta coisa. Ele teve que alugar um barraco para guardar o acervo que não parava de chegar. Todo mês, desembolsa R$ 120, do salário de R$ 569, para pagar o aluguel do lugar onde está seu tesouro. Hoje são mais de 4 mil livros.


Feito de sonho

Na nova linha, o cobrador Antônio da Conceição Ferreira, maranhense de 36 anos e há 13 morando no DF, teve mais uma boa idéia. Deixaria as obras mais visíveis, para que o passageiro pudesse vê-las melhor. Não perdeu tempo. Foi a uma banca de jornal da Rodoviária do Plano Piloto e pediu a uma funcionária que lhe desse um porta-jornais de plástico. Contou o que pretendia fazer. Saiu dali com cara de menino que ganha presente de Natal.


No dia seguinte, levou o porta-jornais para sua biblioteca ambulante. E o pendurou depois da roleta, logo atrás do validador de cartões eletrônicos. E o anúncio, numa folha A4, impressa em computador, o nome do seu projeto. O povo que ainda não conhecia a intenção do cobrador se indagava: “O que seria aquilo?” Outros se aproximavam. E ele explicava tudo mais uma vez. Aos poucos, as pessoas foram entendendo. E descobriram que não precisariam pagar nada para ler livros, trocados todo dia. A disputa foi grande. As viagens nunca foram tão concorridas. A linha 82 virou atração. Há quem a espere com ansiedade.


Quem pega o livro assina uma ficha, que vira o cadastro. Lá, consta o nome do leitor e o telefone. Nada mais. Prazo de devolução? “Varia de acordo com a capacidade de leitura de cada um”, ele explica. Em um ano, não mais que 10 livros deixaram de ser devolvidos. “Jamais vou deixar de levar meu projeto pra frente porque um ou outro não devolveu. Os honestos não podem pagar pelos não honestos”, reflete o cobrador — filho de um lavrador e uma catadora de coco babuçu. Antônio deixou os confins do Maranhão atrás de um sonho: estudar e “ser alguém na vida”.


Aqui, entretanto, por causa das dificuldades financeiras, ele ainda não conseguiu terminar o ensino médio. Precisou trabalhar para sobreviver. Foi auxiliar de serviços gerais, balconista, vendedor e, há 8 anos, virou cobrador. Levou o desejo de estudar para dentro do ônibus. Realiza-se quando observa um passageiro extasiado com seus livros. “Quem lê tem uma visão mais crítica das coisas, do mundo e da vida. Aí, se liberta”, ele filosofa. E, assim, durante seis horas e meia por dia, seis dias por semana, faz o que mais gosta: leva conhecimento a quem, na maioria das vezes, não teria condições de comprar um livro.


Início da tarde de sexta-feira, 12h40. O Correio acompanhou uma viagem da linha 82. Nela, o cobrador Antônio e o motorista Aurélio Marcos Araújo, 35. Saída: Terminal Rodoviário do Núcleo Bandeirante. Destino: Saan. Tempo total da viagem completa: 1h30. E vamos nós. Logo na Metropolitana, bairro próximo ao terminal, sobem mãe e filha. Ambas passam na roleta. Sentam-se atrás do porta-livros. Larissa, de 7 anos , vê uma revistinha da Mônica. Não se contém. Vai até a biblioteca e pega o gibi. Encanta-se com a historinha. A mãe, Renata Oliveira, 25, elogia a idéia do cobrador: “Ajuda a viagem passar logo”.


E o ônibus segue. Chega à Candangolândia. Francisca Santos, 28, entra. Auxiliar de serviços gerais numa empresa do Saan, a moça estava ansiosa para pegar aquela linha. E havia motivo especial. Na quarta-feira, pediu ao cobrador que lhe arrumasse um bom romance. Antônio foi ao seu acervo e trouxe Momentos de encanto, de Helen Bianchin. Francisca passará todo o fim de semana lendo. “Ele (Antônio) faz uma coisa que eu nunca tinha visto igual”, avalia. E confessa: “Quando eu pegava o ônibus, só queria dormir. Agora, só penso em ler, ler muito”.


Dedicação à cultura

Aniversariante da sexta-feira, a auxiliar de teleatendimento Adriana Leandro, 30, também embarcou na linha 82. E, grata ao cobrador que lhe devolveu o prazer da leitura (em pouco mais de três meses leu oito livros), emocionou-se: “Sou fã desse homem. Ele faz esse trabalho e não ganha nada por isso. Faz pela dedicação à cultura”. Naquele dia, Adriana levou Quando é preciso voltar, de Zíbia Gaspareto. “Há um ano procurava por esse livro. Ele conseguiu pra mim. É meu presente de aniversário”, comemora a leitora.


O estudante Fernando Augusto Salvador, 17, é grato a Antônio. Morador de Santa Maria, ele desce na Candangolândia para seguir na linha 82, que o leva ao Saan, onde faz estágio. Numa dessas viagens, descobriu os livros do cobrador. Pirou ao encontrar O pagador de promessas, de Dias Gomes. “Adoro ler. Este ano, já li mais de 100 livros. O que esse cara faz não tem preço, ainda mais num país onde quase ninguém lê”, elogia Fernando.


E a viagem continua. O tempo urge. Uns entram, outros descem. A vida sacoleja. Mas a biblioteca sobre rodas está ali, à espera de um leitor. De alguém que possa sonhar por meio de letras. Assistindo a tanta catarse, a tantos renascimentos, Antônio admite, com os olhos marejados: “Esse é o meu sonho. Ver todo mundo lendo, pensando melhor. Queria poder colocar livros em todos os ônibus do DF”. E planeja, convicto: “Ano que vem, vou voltar aos meus estudos. Em 2010, se Deus quiser, pretendo entrar na faculdade de biblioteconomia, da UnB”. Tem gente que passa pela vida. Há outros que edificam, transformam, realizam sonhos e são capazes de renascer. O cobrador que encheu um ônibus de livros e tem ajudado a mudar a vida das pessoas faz parte da segunda categoria.


Por uma causa

Quem puder doar livros e ajudar Antônio no projeto cultural pode

ligar para 9195-5023


O endereço para quem quiser enviar livros é:

AR7 Conjunto 1A, Lote 10 - casa 3

Sobradinho II

Cep: 73060-702 Brasília - DF

sábado, 15 de novembro de 2008

Morre Claudio Seto


Fiquei sabendo, há pouco, do falecimento de Cláudio Seto. Eu já sabia, por meio de mensagens trocadas em uma lista da qual participo, que Seto encontrava-se hospitalizado. Ele teve AVC hemorrágico, estava internado na UTI e faleceu nesta manhã de sábado.

Confesso que conheço pouco da obra de Seto, mas sei o suficiente do seu trabalho para lamentar sua morte. Ele foi o primeiro desenhista de mangá do Brasil, publicando desde os anos 60. Autor da clássica HQ Samurai (década de 1960/1970), Seto é considerado um dos grandes Mestres do Quadrinho Nacional. Então, seria um desrespeito não fazer uma breve homenagem a ele no nosso blog.


Chuji Seto Takeguma nasceu em 1944 em Guaiçara, São Paulo. Atuou como jornalista, fotógrafo, quadrinista, chargista, artista plástico e pesquisador da cultura japonesa. Cláudio Seto foi morar no Japão com 9 anos e lá, durante 3 anos, estudou noTemplo Myoshinji, da seita Zen, em Kyoto. Nos finais de semana, visitava em seu estúdio Osamu Tezuka, “o pai do mangá”.


Depois de oito anos, retornou ao Brasil e trabalhou com publicidade. No final da década de 60, trabalhou na recém-fundada Editora Edrel, onde foi o pioneiro ao utilizar o estilo mangá nos quadrinhos brasileiros e produzir histórias de samurais e ninjas.


Na década de 70 mudou-se para Curitiba. Trabalhou na editora curitibana Grafipar como desenhista e editor de alguns títulos, reunindo grandes argumentistas e desenhistas na editora, dentre eles Flavio Colin, Julio Shimamoto, Mozart Couto, Watson Portela, Rodval Matias e Franco de Rosa.


Com o fim da Grafipar, Seto publicou poucas histórias em quadrinhos, entre elas destaca-se A História de Curitiba em Quadrinhos, publicada em comemoração aos 300 anos da cidade. Também produziu histórias de conteúdo adulto, em pleno período da ditadura militar.


Foi colunista e colaborador do jornal Paraná Shimbun por vários anos e atualmente era editor do jornal Garça da Sorte e Planeta Zen, além de pesquisador no censo da comunidade nipo-brasileira, em parceria com a jornalista Maria Helena Uyeda e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Era, tabém, organizador dos matsu ( festivais que têm por objetivo preservar e divulgar a cultura e as tradições japonesas aos seus descendentes e apreciadores).


Em 2007, Seto recebeu várias homenagens em Curitiba. A primeira é o título de Cidadão Honorário de Curitiba, a outra foi um um documentário sobre a sua produção em quadrinhos. O título é O Samurai de Curitiba, um curta-metragem, dirigido por Rober Machado.


Dentre os prêmios ganhos por Seto estão o prêmio homenagem Ângelo Agostini como "Mestre do Quadrinho Brasileiro" em 1990; o HQMix, como "Grande Mestre do Quadrinho Brasileiro" em 1995; além de uma homenagem como "Pioneiro e Mestre do Mangá no Brasil", da Associação Brasileira dos Desenhistas de Mangá e Ilustradores em 1996.


Um de seus últimos trabalhos foi Lendas do Japão, livro que escreveu e ilustrou. A obra reúne 15 das mais populares lendas que os imigrantes vindos do Japão trouxeram ao Brasil; foram selecionadas entre mais de 200 lendas publicadas no jornal Nippo Brasil, de São Paulo, onde o autor mantinha uma coluna desde 2000. Segue, abaixo, uma destas lendas.


O saco de arroz encantado

Há muitos e muitos anos, havia em Ikue, província de Echizen, um jovem muito pobre chamado Yotsune, que nada tinha para comer. Diante de tamanha penúria, rezou com toda a força que lhe restava para a deusa Kichijoten, pedindo ajuda para se livrar daquela situação miserável. Pouco depois, uma linda mulher veio em sua direção, estendeu tigela de arroz cozido e disse:


– Coma devagar, pois vejo que faz dias que você não come.

Agradecido, Yotsune recebeu a tigela e um pouco que comeu se deu por satisfeito. Então, guardou a tigela para comer mais tarde. Porém, o pouco que comeu daquela tigela foi o suficiente para passar três dias sem ter fome. No quarto dia, comeu o restante, o que foi suficiente para passar o resto da semana sem fome.


Na semana seguinte, a fome voltou e já não havia arroz na tigela para comer. Então, Yotsune novamente orou pedindo ajuda a deusa Kichijoten. Mais uma vez, a linda mulher surgiu em sua frente e disse lamentar muito, pois, desta vez, não poderia ajudá-lo diretamente. Ele deveria ir buscar o arroz pessoalmente. Assim, entregou-lhe um papel que continha um certificado autorizando a retirada de arroz equivalente à produção de três alqueires.


– Onde devo buscar esse arroz? – perguntou Yotsune.
– Vá até o Kitayama (Serra do Norte) e procure pelo pico mais alto. Escale o pico e grite, dizendo que veio buscar arroz. Alguém vai aparecer e lhe entregar o arroz.
Com muito esforço, Yotsune conseguiu chegar ao ponto mais alto da serra e gritou várias vezes:
– Tem alguém aí? Vim buscar o arroz!


A resposta veio através de uma voz medonha e, em seguida, um vulto enorme veio em sua direção. Yotsune, que já estava pálido de fome, ficou mais pálido ainda de tanto medo. O vulto era uma criatura demoníaca com um só olho na meio da face e um chifre na testa. Seu corpo enorme e musculoso estava coberto apenas por uma tanga vermelha. No ombro, trazia um saco de arroz.


Yotsune, apesar de estar muito assustado, procurou mostrar calma e autoridade, numa demonstração de coragem, dizendo:


– Vim buscar arroz. Aqui está o certificado.
O demônio pôs o saco de arroz no chão, apanhou o papel e deu uma olhada:
– Aqui diz arroz equivalente a três alqueires, porém só tenho um saco. Se estiver bem assim, pode levar este saco. Caso queira tudo de uma vez, deve reclamar à deusa Kichijoten.
– Um saco de arroz já é mais do que tive em toda minha vida, não devo reclamar por ganância, e sim agradecer por tudo que a deusa tem feito por mim – dizendo isso, Yotsune agradeceu ao demônio e levou o saco para casa. Ora carregando e ora rolando a carga, voltou feliz da vida.


Os dias foram passando e Yotsune aos poucos foi consumindo o arroz. Porém, um fato chamou sua atenção. À medida que ele tirava cada tigela de arroz, o mesmo tanto era reposto no saco, como magia. Assim, o rapaz descobriu que aquele saco nunca acabava, porque tornava a encher sozinho. Diante desse milagre, passou a vender arroz para a vizinhança e ganhou muito dinheiro. O saco de arroz encantado ganhou fama e pessoas de várias cidades passaram a vir comprar arroz de Yotsune, atraídas pela curiosidade. Assim, Yotsune acabou tornando um homem rico.


A milagrosa história de Yotsune chegou ao ouvido do governador da província. Este quis a todo custo comprar o saco encantado e ofereceu em troca arroz equivalente a produção de cem alqueires em sacas de arroz. Sem poder recusar, pois o dono das terras de toda região era do governador, Yotsune foi obrigado a aceitar a oferta. Isso o tornou um milionário de uma vez.


Levado para o castelo feudal, o saco continuou auto-enchendo como antes. O governador ficou muito feliz, pois, agora, haveria arroz garantido, mesmo que houvesse inundações ou seca em suas terras. Porém, passado algum tempo, quando foi retirado do saco arroz equivalente a produção de cem alqueires, o saco parou de repor o produto tirado e tornou-se vazio.


O governador ficou furioso e pensou em mandar degolar o rico Yotsune, porém, nessa ocasião, estava em visita ao seu castelo o conhecido mago e andarilho, onmyoji Shamon, e o governador consultou-o a esse respeito.


– Mestre, o que acha? Devo mandar cortar a cabeça desse jovem que se atreveu a me enganar?
– Jamais, meu caro governador. Quem quis o saco que era dele foi o senhor. Foi tolice de sua parte querer para si o prêmio dado especialmente ao rapaz como mérito por sua devoção à deusa Kichijoten. Considere-se justiçado pelo fato de o saco ter devolvido o arroz que o senhor pagou para o rapaz.


Dizem que o governador devolveu o saco a Yotsune e, uma vez na casa dele, o saco voltou a encher, tornando-se novamente inesgotável.


http://hqmaniacs.uol.com.br/principal.asp?acao=noticias&cod_noticia=10681

http://nrhviagens.wordpress.com/2007/03/18/camara-municipal-de-curitiba-homenageia-claudio-seto/

http://universofantastico.wordpress.com/2008/10/15/claudio-seto-o-samurai-dos-quadrinhos/

http://www.nippobrasil.com.br/2.semanal.lendas/index.shtml

Mais quadrinhos paradidáticos

Parece que as editoras estão reencontrado mesmo os quadrinhos paradidáticos. Hoje a amiga Valéria me enviou um link da Editora Europa, com o pré-lançamento de uma HQ sobre História do Brasil. O preço é convidativo, resta saber se os autores realmente atingiram os ambiciosos objetivos da obra. Mas pra isto, só comprando e conferindo. Segue o resumo divulgado pela editora e outros dados sobre a publicação.

Nova publicação da Editora Europa ajuda leitores em idade escolar a entender os principais fatos que levaram à Independência do Brasil

Em sua estréia no segmento editorial de quadrinhos, a Editora Europa - que publica a revista Mundo dos Super-Heróis, entre outras - investe numa obra com cunho didático e que revisita, de forma leve e divertida, o conteúdo apresentado nas salas de aula. Pouca gente lembra - ou sabe - que o grito de Independência dado por Dom Pedro I às margens do Ipiranga, em 1822, teve sua origem muitos anos antes, na distante Europa, quando a ambição de Napoleão forçou a fuga da família real portuguesa para a então colônia do Brasil e mudou para sempre a nossa história.
História do Brasil em Quadrinhos apresenta o encadeamento de todos estes fatos históricos de forma simples e descontraída. No livro aparecem os detalhes da chegada da família real ao Brasil, o Dia do Fico e a Independência de nosso País. "Claro que essas situações tinham enorme complexidade, mas sintetizadas aos seus planos essenciais, com belas imagens e textos enxutos, funcionam melhor no ensino, na compreensão e na memorização do que efetivamente importa no estudo da História", diz Roberto Araújo, diretor-editorial da Editora Europa.

A trama e outros detalhes
Toda a história é contada pelo professor Daguerre a três crianças que se desgarram da excursão escolar no Museu do Ipiranga, em São Paulo: Marcelo, Catarina e Gustavo. A pressão sofrida por Portugal para aliar-se a Napoleão, a chegada ao Brasil, a elevação da antiga colônia a Reino Unido, a Inconfidência Mineira, o Dia do Fico e o grito do Ipiranga, tudo passa pela prosa do professor, num encontro que vai mudar a visão daquelas crianças a respeito dos estudos e até mesmo do lugar onde se encontram.

A obra foi desenvolvida pelo núcleo da revista Mundo dos Super-Heróis, do editor Manoel de Souza em parceria com Edson Rossatto e Jota Silvestre (pesquisa histórica e roteiro); Celso Kodama e Laudo (desenhos); Omar Viñole (cores) e André Morelli (assistente de edição).

A revista traz, ainda, um apêndice com testes de múltipla escolha sobre o conteúdo apresentado e outro com as referências artísticas utilizadas ao longo da narrativa.

Título: PRÉ-VENDA: História do Brasil em Quadrinhos
Autor: Manoel de Souza, Edson Rossatto, Jota Silvestre, Celso Kodama, Laudo e Omar Viñole
Editora: Editora Europa
ISBN:
Coleção:
Idioma: Português
Edição:
Número de páginas:
Formato: 26 x 13 cm

Outra publicação da editora é a HQ Filósofos em ação, que eu já comentei aqui há algum tempo e que fez uma grande sucesso nos EUA. Vale a pena dar uma conferida nesta obra, também.

Informações
Título: Filósofos em Ação
Autor: Fred Van Lente (Roteiro) - Ryan Dunlavey (Arte)
Editora: Gal Editora
ISBN: 978-85-61780-00-5
Coleção:
Idioma: Português
Edição:
Número de páginas: 100
Formato: 16,5 x 24,0 cm

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Comentários sobre a revista Discutindo a Literatura - especial sobre quadrinhos

Fiz minha leitura da revista especial "Discutindo a Literatura" da Editora Escala. A revista defende a tese de que quadrinho são literatura ou mesmo que ultrapassam, em certos casos, a literatura. Acho que esta defesa se justifica no fato da editora ter feito um considerável investimento nos últimos anos em publicações paradidáticas na forma de quadrinhos. Não reprovo. Ela tem direito de defender seu produto - que por sinal é muito bom. Temos uma coleção de literatura adaptada em quadrinhos da Escala na Gibiteca, como comentei em outra oportunidade, e ela é muito apreciada por nossos alunos, principalmente por aqueles que não se interessam pelos gêneros de aventura e humor e gostam de leituras mais substanciosas.

A revista disponibiliza muitas informações, em geral, sobre quadrinhos e provavelmente será uma referência futura para professores e pesquisadores que estão se aprofundando sobre o tema. Acho interessante que façam indicações e sugestões de leituras sobre o tema, mostrando que quadrinhos são mesmo coisa séria.

Entretanto, em alguns momentos ela tem uma opinião muito tendenciosa. Ela argumenta tanto a favor da idéia de que quadrinhos são literatura que não deixa espaço para o debate, para o questionamento.

Acho, no entanto, muito positivo o fato abrirem espaço para autores falarem sobre o seu trabalho, mostrando que temos talentos nacionais ativos, como é o caso do André Diniz (cujas ilustrações estou usando nesta postagem), que tem feito um bom trabalho nesta área de quadrinhos voltados para o meio escolar. É uma revista informativa e que faz uma síntese do tema, sem, no entanto se arriscar a um grande aprofundamento.

Foi uma boa leitura, mas não atingiu às minhas expectativas. Mas isto não significa que não tenha valido a pena comprá-la. Muito pelo contrário. Como disse em uma postagem anterior, é raro ter em mãos um material como este, dedicado aos quadrinhos. De alguns anos para cá tem havido publicações sobre o tema, mas um texto ou outro, em revistas de educação, história, literatura ou língua portuguesa. Acho que lançar uma revista só sobre HQs ajuda a dar visibilidade a este tipo de leitura, ainda mais levando-se em conta um público formado por professores e profissionais ligados ao estudo da literatura.

Enfim, acho que quem se interessa por quadrinhos - e não me refiro apenas aos fãs - deve ler a revista e tirar suas próprias conclusões. No mínimo, a leitura poderá enriquecer seus conhecimentos sobre o assunto, ou poderá, também, despertar no leitor o desejo de buscar informações mais complexas e a fazer uma pesquisa mais apurada (isto geralmente acontece comigo).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quadrinhos, do papel à Internet

A análise dos aspectos que diferenciam os quadrinhos criados para o meio impresso daqueles para o meio digital, em especial a Web, é o tema da dissertação de mestrado em Artes Visuais de Anselmo Gimenez Mendo, apresentada no Instituto de Artes, campus de São Paulo. Intitulada História em quadrinhos (HQ) - impresso vs. Web, a obra foi lançada em livro pela Editora UNESP (112 páginas; R$ 24,00, informações: 11-3242-7171).

Designer gráfico e ilustrador, Mendo verifica que a disposição inicial dos autores de quadrinhos, ao entrar em contato com a Internet, foi a de usufruir desse suporte como ferramenta de criação e, principalmente, como meio de distribuição da sua produção.

"Muito do que encontramos na Web sobre HQ é uma transposição de material concebido para o meio impresso com poucas adaptações para o ambiente digital", comenta o autor. "Poucos trabalhos utilizam os recursos multimídia e de interação da Internet de forma a enriquecer a experiência do leitor."

Para o designer, mesmo esse segundo grupo de obras não cria uma nova linguagem, mas apenas uma variação da HQ impressa. "O que mudou com a consolidação do ciberespaço foi o envolvimento do leitor com as formas de comunicação por rede de computadores", acredita.

Grupos - O diálogo entre os quadrinhos e a Web é categorizado em cinco grupos. O primeiro consiste na mera reprodução da página impressa com uma pequena adaptação ao meio. As histórias são disponibilizadas para download com a intenção de que o leitor imprima as páginas e faça a leitura no papel. "A idéia é apenas aproximar o leitor do trabalho por meio de uma distribuição prática e barata", comenta Mendo.

No segundo grupo, já ocorre uma pequena adaptação ao formato do computador, como a acomodação dos quadros que compõem a página na área visível da tela. "A proporção é a mesma quando comparada às revistas impressas, mas a história passa a ter uma dinâmica semelhante à linguagem em vídeo", explica o designer.

O terceiro grupo traz a HQ com a interface característica dos meios digitais. É copiado o aspecto geral das revistas impressas, mas ocorre a adição de funcionalidades próprias da navegação na Internet. "A HQ, porém, não conta com recursos de inteligência artificial, mas apenas navegação por uma estrutura não linear que pode ser experimentada de diversas formas, como botões de navegação que permitem dar um zoom", comenta.

No quarto, há utilização moderada de recursos multimídia e interatividade. Geralmente, são apresentados recursos sonoros, relacionados às onomatopéias e à ambientação. Às vezes, um personagem só responde ao questionamento de outro quando o leitor move o cursor sobre ele. "Não se trata mais apenas de transpor para o meio digital criações pensadas para o impresso", ressalta Mendo.

No último grupo, a HQ surge com uso avançado de animação, som e interatividade. As tramas ficam próximas de perder as características fundamentais do quadrinho impresso. "Se não fosse algumas vezes pelo texto e os quadros, como nas HQ impressas, provavelmente não seria possível compará-las com histórias em papel", afirma.

Interação - A pesquisa mostra como a HQ na Internet criou um usuário que gosta de ter a possibilidade de interagir com a história, personagens e autores. "Estes, aliás, fundamentalmente formaram seu repertório imagético por meio da leitura de capital impresso", acredita o pesquisador. "Não surgiu ainda um leitor de quadrinhos na Web, mas sim um usuário que assimilou a tecnologia para ter acesso a conteúdo derivado do meio que ele já conhecia."

De acordo com Mendo, os quadrinhos impressos não dão sinais de perder seu lugar para versões eletrônicas. "Os atuais monitores de vídeo dos computadores ainda não demonstraram superar o conforto e a portabilidade proporcionados pela leitura em papel", avalia. Para ele, a HQ eletrônica, especialmente a distribuída por redes de computadores, pode servir de trampolim para artistas que almejam integrar a vanguarda da criação digital. "Para isso, necessitam ver a Web como algo realmente novo e com infinitas possibilidades criativas."

História dos quadrinhos
As histórias em quadrinhos são desenhos em seqüência que narram uma história. Elas podem ter balões contendo o texto ou ser meramente visuais. Começam a aparecer no Ocidente por volta do século XVIII, na França, com as chamadas "canções de cego", tanto em edições populares como com luxuosas iconografias. Em 1823, em Boston, EUA, surge um almanaque publicado por Charles Ellms, que traz, pela primeira vez, entre passatempos e anedotas, algumas histórias cômicas. Em 1846, aparece, em Nova York, a primeira revista exclusivamente com essas histórias, chamada Yankee doodle. O Japão e a Europa também se mostram terrenos férteis para material de HQs.

No Brasil, Angelo Agostini, um italiano radicado no país, desenha e publica na revista Vida Fluminense, dia 30 de janeiro de 1869, os quadrinhos As aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à Corte. Quinze anos depois, ele cria os primeiros quadrinhos brasileiros de longa duração, com Aventuras do Zé Caipira.

Por Oscar D'Ambrosio, do Jornal do UNESP.

Fonte: http://www.ensinosuperior.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=680&c=31